às vezes não estamos prontos. outras vezes não queremos estar prontos. fica então pra quando quisermos.

 

Pensamento da Madruga #3 - Sonhos vs Realidade

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Eu nunca deixei de sonhar. Sonhar no sentido mais amplo, de almejar coisas, de querer conquistar o mundo, de querer descobrir o impossível e tal.

A realidade acabou me dando um baque forte. Foram vários socos da vida na minha cara. Era como se ela estivesse me testando, pra saber se eu ainda conseguiria ficar de pé. Se eu ainda ia conseguir sonhar, bobo, embasbacado, esperando por um mundo melhor.

Descobri que talento, dom inteligência, cultura ou mérito não valem nada perto de esforço e força de vontade. Se eu achasse, algum dia, que esperar meus talentos me levarem a algum lugar, teria ficado parado. Porque acabei desconfiando do que diziam que eram meus talentos e quis desenvolver minhas próprias habilidades. E isso foi muito bom.

O fato de descobrir que o esforço me ajudava a caminhar, me deu ainda mais vontade de sonhar. Não ia ser a realidade me socando que ia me impedir. Ela só conseguiu me animar ainda mais.

Me disseram que eu não levava jeito pra cantar. Me disseram que escrever não dava dinheiro. Me disseram que Rádio e TV não ia levar a lugar nenhum. Me disseram que fazer aula de música não era um plano de “homem”. E mesmo eu tendo descoberto o quanto era difícil acreditar que os sonhos dariam certo, o quanto era difícil transformar sonhos em realidade, eu não parei. Por que se eu tivesse parado de acreditar, teria virado um robô, esperando do mundo uma programação.

A verdade é que muito do que faço e vivo hoje, não faz parte dos meus sonhos. Eu ainda não atravessei o espaço, não descobri como voar, não desenvolvi superpoderes e não tenho ideia de como vou poder mudar o mundo trabalhando em regime CLT, pegando transporte público todos os dias e seguindo uma rotina programada e pré-estabelecida.

Eu comecei a perceber (e pensar muito sobre isso), que realmente estamos dentro de um “sistema”. E, incrivelmente, criado por nós mesmos. E sim, por mais óbvio que seja dizer isso, ele favorece que já é favorecido. E fazendo parte desse sistema, a gente precisa seguir algumas regras, ter conduta e postura de acordo, ser político, demonstrar o que não é. Usar máscaras. É horrível? É. Mas quando a gente sabe que está usando essa máscara propositalmente, a gente deixa de ser aquele robô programado. A gente faz consciente. Mas bom, isso é assunto pra outro Pensamento da Madruga.

Mas a gente precisa participar desse sistema. O segredo está em saber que está participando. Porque é aí que você fica livre pra continuar sonhando, e continuar acreditando e, quem sabe, ali, pelas beiradas, não consegue realizar um desses sonhos. E vencer o sistema sem se impor pra ele. Só ignorando na hora certa.

Os sonhos meio que precisam da realidade pra viver, eu acho. Tipo luz e sombra. Eles existem por que podem se tornar reais. E a realidade existe pra que a gente vá além dela, sonhe de novo, e a remolde.

E eu me atrevo a dizer: se a realidade tá tão ruim assim, é porque muita gente parou de sonhar. E eu culpo essas pessoas. Que acham que é ignorância sonhar. Que se sentem crianças indefesas e ingênuas por acreditar no impossível, ou melhor, no que disseram que era impossível. Fico me perguntando se a inocência não vem dessas pessoas.

Mas eu não parei de sonhar. E não importa o quanto a realidade me soque, eu vou continuar de pé.

Pensamento da Madruga #2 - O Amor

De verdade, eu ainda não sei o que é esse lance do amor que todo mundo fala. Ainda sou um adolescente no assunto. Sou bem confuso, não tenho empatia nenhuma pra identificar sinais e quando acho que entendi alguma coisa, me dizem que eu entendi tudo errado.

Mas se tem uma coisa que eu tenho certeza de como funciona, é quando eu fico retardado por causa de uma mulher. Eu tinha até esquecido de como que era a sensação até acontecer de novo. Achei que tinha criado uma casca, mas era tudo enganação de mim pra mim mesmo.

Você sonha com a pessoa toda noite, pensa nela toda hora, vê alguma coisa na rua e quer correr e contar pra ela, fica imaginando como seria sua vida ao lado dela e, de alguma forma, quer estar perto o tempo todo.

Quando ela tá perto, é uma tortura: você fica olhando que nem um panaca. Toda aquela segurança que você tem em outras situações vai pro espaço. E sabe por que? Porque você sabe que ela não te corresponde.

Uma coisa que eu aprendi com esse negócio de vida, é que quando você tá afim de alguém e esse alguém não tá afim de você, não tem briga: você sai fora e vai procurar quem te queira. É simples. Você aprende a curar aquele orgulho ferido que te rasgava o peito na adolescência.

E eu achei que fosse em qualquer caso assim, mas descobri que esse negócio de se apaixonar realmente existe. Não é orgulho ferido, nem ciúme, nem vontade de ter o que não pode. É a simples vontade de querer fazer a diferença na vida daquela pessoa, e esperar que ela faça na sua. Mas não vai rolar.

No meu caso, tá mais que estabelecido pela moça: não vai rolar. E não é por isso que eu to me roendo, eu sei. To me roendo por que não consigo amar e ser correspondido.

Eu tenho certeza que seria foda, que seria lindo, que a gente ia se amar, que a gente ia ser feliz. Mas aí quando penso em quem veio atrás de mim e eu não consegui corresponder, calo a minha boca. E aí prefiro seguir neutro. E procurar o amor onde ele ainda não existe. Mas pode brotar.

Pensamento da Madruga #1 - Quase 30

Chega a dar frio na barriga. A ansiedade monstra que eu tinha quando era criança voltou a tomar conta de mim. Mas agora não é a vontade de ter um videogame novo ou de saber o que vou ganhar do Papai Noel. Virou coisa séria.

Eu me formei recentemente, mas já era meio tarde. A verdade é que eu sempre quis ganhar o mundo e essa graduação tardia me atrasou muito no processo. Estou atrasado pra ganhar dinheiro, pra casar, pra mudar o mundo.

É engraçado que quando a gente é mais novo, é tão fácil, né? “Fiquem calmos, eu tenho um plano. Vou estudar bastante, ficar rico, casar com a garota dos meus sonhos e depois salvar a humanidade. Tudo antes dos 30.” - diz o aspirante a herói.

Mas não funciona bem assim. Com quase 30, não cheguei nem perto de concluir o plano. O pior é que 1 zilhão de oportunidades passam, a gente tenta agarrar, mas espera: soco de realidade na cara. Vai ter sempre alguém mais inteligente que você, mais bonito que você, com mais dinheiro que você, com uma formação mais compatível com o mercado que a sua, com competências superiores à sua.

E dá pra chorar? NÃO, porque isso só vai ser somado à sua lista de fracassos.

Olha lá sua carreira dos sonhos sendo disputada a tapas (e acredite, beijos também). Pior, olha a garota da sua vida, nos braços de um cara tão melhor que você que não vale nem a competição. 

E você ainda achou que ia mudar o mundo, né? Quanta prepotência. Não consegue nem melhorar a própria vida.

Mas vamos parar tudo por um momento. Lembra o que eu falei de chorar? Que não adianta? Você pode fazer o teste, é tão fracasso quanto todas as outras tentativas.

É aí que tá. Minhas duas opções são chorar ou continuar insistindo. Então vou continuar. Porque não posso reclamar muito das coisas que eu consegui porque insisti, persisti.

Não vou dizer que cumprir o plano tá fácil, porque realmente não tá fácil para: ninguém. Mas é o que eu tenho. E por mais brega e clichê que soe, é o que me mantém vivo.


Journey - Desert Ruins

Meu coração. Procurando ser correspondido nas ruínas dos desertos de Journey.

Journey - Desert Ruins

Meu coração. Procurando ser correspondido nas ruínas dos desertos de Journey.

(Source: places-in-games)

A Princesa do Cavalo Branco

Nunca me apaixonei por qualquer mulher.

Inclusive, é muito difícil me apaixonar de verdade. Mas quando acontece, uma coisa é mortal: é uma mulher impossível, intangível. 

A linda princesa num cavalo branco que poderia ter vindo salvar minha vida. Uma vida que caminha para o limbo do amor. O vortex dimensional que me permite amar, mas não ser correspondido.

Essa princesa poderia me livrar dessa maldição. Beijar meus lábios e descongelar meu coração amargurado com o calor de sua paixão. Mas ela vai continuar cavalgando. Não vai parar por mim.